A Obsolescência Programada dos Nossos Sentimentos – A morte não ama os idosos

Uma coisa é inegável, a Pipoca & Nanquim sabe escolher a dedo os títulos para o seu catálogo e consegue criar todo um hype em cima deles.

Em “A Obsolescência Programada dos Nossos Sentimentos” simplesmente temos Zidrou, o roteirista que toda editora quer chamar de seu, e a quadrinhista a sensação deste ano, @aimeedejongh, logo, a HQ já chega como um dos grandes lançamentos do ano.

         

Mas será que é tudo isso mesmo? Olha, se você procura uma história sensível, delicada e inspiradora, a resposta é sim!

Como o título bem revela, a HQ é sobre encarar o processo de envelhecimento, o do corpo e da alma, e questiona se realmente a velhice precisa ser o fim de tudo. E eu diria até que ela provoca ao colocar os protagonistas Ulisses e Mediterrânea em situações de completa renovação.

Há renovação profissional quando Ulisses encara o fato de ter que se aposentar, há renovação emocional quando o casal se encontra e tem início o flerte, a sexual, que na HQ é representada de modo muito delicado e poético e, é claro, na vida de ambos com o desenrolar da história.

               

E eu digo que ela provoca, mas não se sentido de querer ofender, e sim de fazer o leitor visualizar, acompanhar e refletir as movimentações das personagens. São em falas rápidas, dos coadjuvantes ao redor de Ulisses e Mediterrânea que percebemos a estrutura social de que a velhice precisa sempre estar no mesmo quadro e esperar de forma fria e sem emoção o fim. Como se fosse até errado começar algo novo.

Fazendo até uma grande brincadeira com o nome dos protagonistas, em seu roteiro, Zidrou mais uma vez apresenta ao leitor uma reflexão sobre costumes e condicionamento social. Ulisses enfrentar o seu medo e se aventurar nas águas de Mediterrânea é um desafio e até mesmo uma lição de vida.

Para quem procura uma leitura rápida e inspiradora, “A Obsolescência Programada dos Nossos Sentimentos”, é uma indicação e presente ideal.

A velhice não é o fim, como bem ensina a HQ, a vida começa aos 60!

Por: Renato Labeau
Fonte: Impulso HQ
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