Canto das Máquinas: Mateus Alves, autor da trilha de Bacurau, lança álbum com Caio Lima vocalista e letrista do Rua Do Absurdo

O álbum de inéditas dos recifenses estará disponível em todas as plataformas digitais dia 01 de dezembro

O álbum de inéditas dos recifenses estará disponível em todas as plataformas digitais dia 01 de dezembro.

Os compositores recifenses Caio Lima, vocalista e letrista do grupo Rua do Absurdo, e Mateus Alves, autor de trilhas sonoras de filmes como Bacurau e Brasil S/A, lançam juntos o disco “Canto-Máquina”. O novo projeto estará disponível em todas as plataformas de streaming a partir do dia 01 de Dezembro.

Produzido entre os anos de 2015 e 2018, Canto-Máquina apresenta-se em quatro faixas musicais arranjadas por Mateus Alves, sendo três canções (“Canto-Máquina”, “Demiragens” e “A uma Voz”), todas com letras compostas por Caio Lima, e uma música instrumental (“Sem Título”), em parceria com Henrique Vaz.

Durante um pouco mais de 13 minutos, Canto-Máquina propõe aos ouvintes a audição de quatro músicas que incorporam a sutileza enquanto desdobram-se com engenhosidade através dos arranjos para instrumentos de orquestra (como o Clarinete e o Clarone de Gueber Santos, a Flauta de Eltony Nascimento, o Saxofone de Luciano Emerson, o Trompete de Josias Adolfo, a Trompa de Esdras Campos, o Violoncelo de Fabiano Menezes e o contrabaixo de João Pimenta) costurados à bateria de Hugo Medeiros (Rua do Absurdo e Amaro Freitas Trio), o violão e a guitarra de Rodrigo Samico (Saracotia), o baixo elétrico de Mateus Alves e a voz de Caio Lima.

Neste sentido, segundo Mateus, Canto-Máquina foi composto por motivações diversas que vão desde a procura por uma linguagem mais livre, em grande medida influenciada pelo Free Jazz de John Coltrane, como é possível escutar na faixa que dá título ao disco; passando pelo minimalismo da faixa “Sem Título”, que lembra as obras dos minimalistas norte-americanos Steve Reich e Philips Glass, no entanto, misturado aos algoritmos programados por Henrique Vaz; experimentando os sons como cores que se confundem na canção “Demiragens”; e, por fim, na elaboração do violão dedilhado de “A uma Voz” que nos aproxima da paisagem de uma canção tradicional.

Mas, por que Canto-Máquina? Segundo Caio Lima, conhecido pelo seu trabalho como compositor e cantor da Rua do Absurdo, ainda que a imagem da máquina mecânica (como os automóveis e os seus motores) predomine sobre a percepção do termo, a tradução de máquina significa “meio”, “criação”, “dispositivo”. Neste sentido, uma máquina é apenas um meio para a criação de outra coisa. Logo, assim como diz-se que os tambores surgiram como um meio para fazer a divindade ouvir, as canções são também máquinas de cantar o tempo e inventar sensações. Neste caso, para Caio, a canção é parte de uma maquinaria que produz muito mais do que as imagens do mundo de um poeta, o que se escuta na canção é uma trama de relações que se compõe desde eventos, pessoas, desejos, ideologias, instrumentos e técnicas musicais até o som propagando-se pela atmosfera. Assim, “Canto-Máquina” é um experimento poético em que o cantor é o meio através do qual a canção canta sobre si.

Para exemplificar tais ideias, logo na primeira canção do disco, ouvimos: “Me perdi nessa língua tentando desdizer o que me continha/Me refiz nessa voz um desengano a encontrar o que não poderia/E assim dobrando-me outros fui além do que alcançaria”. Já em “Demiragens”, o cantor anuncia a canção como uma miragem em que “não há palavra que demore” nem “sentido que resista ao esquecimento”. Por fim, em “A uma Voz”, a canção se materializa como “uma voz que quer encarnar dedos, rebuscar espelhos, afogar o medo e gargalhar”.

Canto-Máquina conta ainda com a arte “Não há foz não há nascente”, da série “Outros esquemas do corpo”, assinada pela artista plástica Juliana Lapa; design de Igor Marques; video-apresentação (link – a ser lançado junto com o disco) por David Sobel da Linha do Tiro Filmes; fotos divulgação por Raphael Malta Clasen. O disco teve produção musical de Mateus Alves e foi gravado por André Oliveira (Estúdio Muzak, Recife/PE), Hugo Medeiros (Mofo Estúdio Mofo, Recife/PE) e Rodrigo Samico; Mixado por Paulo Germano; e Masterizado por Bruno Giorgi.

 

Por: Daniela Ribeiro

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