MASP recebe doação de arquivo de Rubem Valentim com mais de 10.000 itens

Material foi oferecido pelo Instituto Rubem Valentim, instituição recém-criada para divulgar e proteger a obra do artista baiano

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) acaba de receber um vasto acervo com manuscritos, datiloscritos, cartas, fotos e desenhos do artista baiano Rubem Valentim (1922-1991). O material —mais de 10.000 itens distribuídos por trinta caixas— foi
doado pelo recém-criado Instituto Rubem Valentim e ficará armazenado no Centro de Pesquisas do MASP.

Entre 2018 e 2019, o MASP realizou a mostra monográfica Rubem Valentim: construções afro-atlânticas, no contexto das Histórias afro-atlânticas, eixo curatorial do museu em 2018.

Segundo Fernando Oliva, curador da exposição, a doação concretiza um antigo sonho do artista: reunir a maior parte de seus documentos e arquivos pessoais em um mesmo local, disponível para o acesso de pesquisadores do Brasil e do mundo. E o fato de essa descoberta se dar no momento em que a obra de Valentim passa por reavaliações, no contexto de uma perspectiva afro-brasileira, como a exposição e catálogo do MASP, vai ao encontro da importância desta doação. “O material pode jogar nova luz sobre a obra do artista e sua relação com a arte afro-brasileira e africana”, diz o curador.

Em sua maioria raros e inéditos, os documentos incluem desenhos de seu período de formação, no qual ainda produzia obras figurativas; registros de suas passagens pela Inglaterra e pela Itália, berço da sua conhecida fase Roma; além de fotos da instalação da escultura Emblema de São Paulo na praça da Sé, na década de 1970, e da exposição Culto afro-brasileiro, de 1976, mostra pouco registrada em imagens.

Há ainda, entre outros documentos, anotações de preparação de aulas (Valentim foi professor do Instituto de Artes da Universidade de Brasília nos anos 1960), que revelam a faceta didática do artista. Rubem Valentim foi um artista fundamental do século 20, responsável por promover potentes articulações entre os elementos da tradição ocidental e as raízes africanas presentes na cultura brasileira. A exposição Rubem Valentim: construções afro-atlânticas, e seu respectivo catálogo (editado por Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Oliva), buscou uma abordagem mais ampla da obra do pintor, escultor e gravador, sublinhando seus aspectos políticos e religiosos, mas sobretudo afro-brasileiros.

 

Por: Gabriela Valdanha de Araujo
Foto: Silvestre Silva

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