O poder da construção e da desconstrução imagética na política

A Editora Lumen et Virtus lança obra que aborda não só a origem da política, como também o poder e a influência da imagem nas campanhas eleitorais

Já dizia um velho e conhecido ditado: “A propaganda é a alma do negócio”. Os meios de comunicação são inovados, o público consumidor se transforma, mas tal frase nunca perde o seu sentido, pelo contrário, quanto mais os meios midiáticos são aprimorados, especialmente com as constantes mudanças das tecnologias digitais, mais a propaganda necessita de novas estratégias para alcançar quem deseja. Para isso, ela recorre a todo um trabalho de construção e desconstrução imagética capaz de induzir inclusive aqueles completamente distantes do que ela trata.

Essas e outras questões são abordadas, de modo detalhado, no interior do contexto político, na obra Construção e desconstrução imagética dos políticos nas campanhas eleitorais, de Edney Firmino Abrantes, lançada recentemente pela Editora Lumen et Virtus. Além de mostrar a concepção do homem político hoje, o livro traça, quase de forma arqueológica, um breve relato da origem do político em si. A partir daí, tece considerações importantes sobre a construção da concepção filosófica do animal político, a partir de dois momentos especiais: de Platão à Aristóteles, na Antiguidade; e de Maquiavel a Hobbes, entre os modernos.

A obra também aborda a questão de ser da imagem e de seu emprego no marketing eleitoral, seja como construtor da imagem do homem político, seja como seu destruidor. Pesquisador e estudioso da imagem há mais de 30 anos, o Prof. Dr. Jack Brandão, que faz uma participação especial no livro, comenta a respeito do poder imagético: “Desde o começo da humanidade, as imagens construídas nunca foram mera ilustração. Em cada momento da história elas cumprem determinada função: mitológica, instrutiva, metafórica, entre inúmeras outras. Dentro de cada contexto, é nítido seu poder de atrair o olhar de quem a observa para dentro do mundo criado por ela. Afinal, nenhuma imagem é reprodução fiel da realidade, muito menos a fotografia”. O professor completa que esta utiliza de artifícios diversos como o trabalho de edição e de recorte da imagem, o olhar e a intencionalidade do fotógrafo que reconstrói a realidade para a eternização de um momento criado que passa, então, a ser o real.

No ambiente político, de modo especial, o professor ressalta como a fotografia é um elemento essencial para o marketing eleitoral, especialmente nos dias de hoje marcados pelo bombardeamento de imagens digitais. “O marketing eleitoral é imprescindível para a construção imagética dos políticos diante do público. Todavia, não se trata aqui apenas daquelas famosas promessas feitas durante o horário eleitoral que são exibidas na TV e no rádio. Muito pelo contrário, com as redes sociais, o político pode se aproximar do eleitor de uma maneira até então desconhecida. Este agora acessa fotografias e vídeos da vida privada dos candidatos que fazem questão de mostrar como são bons exemplos de pessoa como um todo”.

Para Brandão, o grande problema nessa divulgação imagética é que o público se esquece de que tais imagens não passam de mera construção, com propósitos muito bem delineados, e que ele jamais conhecerá a verdadeira identidade do político. “Envolvemo-nos com as imagens de tal forma, que passamos a desejar a concretização daquela construção, sem nos importarmos com sua veracidade”, ressalta o pesquisador.

Todavia, apenas a fotografia ou o vídeo não são suficientes para que os políticos atinjam seus objetivos propagandísticos, eles recorrem a algo fundamental que direcionará o olhar do público para a imagem apresentada. Segundo Brandão, trata-se do lógos, que vai muito além do pensamento e da palavra. “Por meio do lógos, eu descrevo a imagem e, assim, a rotulo, induzindo o receptor a acreditar naquilo que eu quero”. Dessa forma, a famosa expressão “uma imagem vale mais do que mil palavras” mostra-se equivocada, considerando que o lógos tem o poder de descontextualizar toda uma realidade, ao associar-se a determinada imagem.

Ainda, segundo o Dr. Jack Brandão, da mesma forma que os políticos e suas equipes de marketing utilizam do lógos e da imagem para determinadas construções imagéticas, também fazem o mesmo para desconstruir a imagem de seus concorrentes. “Tanto no processo de construção, quanto de desconstrução, um recurso em comum é o efeito latente. Eu convenço o público pela repetição de determinados elementos tanto a favor de determinado candidato, quanto contra um outro. Assim, quanto mais eu reforço, por meio do lógos e da imagem, o quanto eu sou bom e quanto o outro é ruim, mais chances eu tenho de conquistar o pleito e novos eleitores. Não há, portanto, sequer a necessidade de qualquer elemento real, mas apenas aquele de sua construção (ou da desconstrução) imagética, pouco importa que seja totalmente artificial”.

Construção e desconstrução imagética dos políticos nas campanhas eleitorais, de Edney Firmino Abrantes, torna-se, portanto, mais que uma obra de referência, mostra-se imprescindível para aquele público que procura empreender, de maneira clara, uma viagem pelo mundo da política nos dias de hoje, bem como compreendê-la.

Sobre o Prof. Dr. Jack Brandão:

Doutor em Literatura pela Universidade de São Paulo (USP), Diretor do Centro de Estudos Imagéticos CONDES-FOTÓS Imago Lab., Professor do programa de Mestrado em Ciências Humanas da Universidade Santo Amaro/UNISA, Pesquisador sobre a questão imagética em diversos níveis, como nas artes pictográficas, escultóricas e fotográficas. Autor de diversos artigos e livros sobre o tema no Brasil e no exterior. 

Mais informações sobre o livro:

http://www.editoralumenetvirtus.com.br/_construcao_politicos.htm

 

Por: Mariana Mascarenhas

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