{"id":20537,"date":"2025-02-15T01:04:51","date_gmt":"2025-02-15T04:04:51","guid":{"rendered":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/?p=20537"},"modified":"2025-02-15T01:04:51","modified_gmt":"2025-02-15T04:04:51","slug":"entrevista-com-o-escritor-thina-curtis-sua-trajetoria-e-sua-obra-por-cida-simka-e-sergio-simka","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/entrevista-com-o-escritor-thina-curtis-sua-trajetoria-e-sua-obra-por-cida-simka-e-sergio-simka\/","title":{"rendered":"Entrevista com o escritor: Thina Curtis, sua trajet\u00f3ria e sua obra, por Cida Simka e S\u00e9rgio Simka"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Premiada em 2017 como melhor fanzine de HQ no Trof\u00e9u Angelo Agostini ao lado da ilustradora Fabi Menassi com o fanzine Caf\u00e9 Ilustrado. Tem pr\u00eamios e men\u00e7\u00f5es honrosas em diversos trabalhos liter\u00e1rios e de HQs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Organiza h\u00e1 treze o evento de Fanzines e Publica\u00e7\u00f5es Independentes Fanzinada. Patrona de duas Fanzinotecas p\u00fablicas: Fanzinoteka Municipal Thina Curtis em Barueri e Acervo Feminista Thina Curtis na Fanzinoteca Maca\u00e9 no Instituto Federal Fluminense-RJ. Autora do livro \u201cBrazineiras \u2013 O Protagonismo Feminino nos Fanzines\u201d. Conselheira da Setorial de Cultura Geek em S\u00e3o Bernardo do Campo-SP. Inaugurou a Gibiteca Municipal de Diadema-SP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prefaciou v\u00e1rios livros de poesia e HQs e tamb\u00e9m o de Poesia Ilustrada Infantil Expressinho Po\u00e9tico (Bauru). Inaugurou a Fanzinoteca de Bras\u00edlia no Centro Cultural Renato Russo. Jurada no Sal\u00e3o Internacional de Humor de Piracicaba. Embaixadora do Humor no Sal\u00e3o de Humor de doa\u00e7\u00f5es de \u00d3rg\u00e3os e Tecidos Instituto Gabriel. Foi homenageada em novembro de 2024 Mestra do Fanzine Nacional com o Trofeuzine Thina Curtis no Ciberpajelan\u00e7as na Universidade Federal de Goi\u00e2nia.<br \/>\nHomenageada ao lado do quadrinista e pesquisador Paulo Ramos no evento de quadrinhos e educa\u00e7\u00e3o EDUCAHQ 2024. Recentemente participou da colet\u00e2nea de quadrinhos de terror feita por mulheres N\u00e3o se Assuste \u2013 Isso \u00e9 Coisa de Mulher, lan\u00e7ada na CCXP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi tema de pesquisa e artigo na Universidade de Porto. (Amid Creative Disorders: Fanzines, Punk, Improvisation, and Critical Pedagogy pela pesquisadora Paula Guerra.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; Voc\u00ea \u00e9 fanzineira, arte-educadora, poeta, quadrinista. Fale-nos sobre seu trabalho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como arte-educadora, meu trabalho gira em torno de inspirar e instruir atrav\u00e9s da arte-educa\u00e7\u00e3o utilizando uma pedagogia libert\u00e1ria que a cultura zineira e do papel me possibilita. Como fanzineira, sou apaixonada por criar e distribuir zines independentes, explorando temas \u00fanicos e subversivos, descobrir formas, t\u00e9cnicas, conhecer novos zineiros. J\u00e1 na poesia, encontro formas de ousar com as palavras e expressar emo\u00e7\u00f5es de maneira l\u00edrica e intimista. Precisamos de poesia para aguentar o caos do mundo. Como roteirista de quadrinhos, adoro contar hist\u00f3rias do cotidiano, misturando arte e narrativa para criar mundos e personagens, solto a minha imagina\u00e7\u00e3o f\u00e9rtil aquariana(rs), deixo minha crian\u00e7a interior tomar conta, a crian\u00e7a atrevida que n\u00e3o teme arriscar. Recentemente tive o privil\u00e9gio de realizar um sonho que foi produzir e dirigir ao lado dos quadrinistas Kash Fyre e Victor Zanellato o document\u00e1rio Al\u00e9m dos Quadros: Mem\u00f3ria dos Quadrinhos de Santo Andr\u00e9 (pela lei de incentivo Paulo Gustavo), recentemente participei da colet\u00e2nea de quadrinhos de terror feita por mulheres N\u00e3o se Assuste \u2013 Isso \u00e9 Coisa de Mulher, lan\u00e7ada na CCXP, organizada pela Eliane Bonadio. Os quadrinhos t\u00eam um significado gigante para mim, aprendi a ler e ter interesse pela leitura e escrita. Os \u201cgibis\u201d foram meu portal para outro universo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; Voc\u00ea \u00e9 a respons\u00e1vel pelo evento Fanzinada. Fale-nos sobre ele.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Fanzinada \u00e9 realmente um encontro art\u00edstico e cultural fascinante e multifacetado. Ela foi criada e pensada para ser um ponto de encontro, celebra\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria da cultura dos fanzines e publica\u00e7\u00f5es independentes. Eu criei a Fanzinada para dar visibilidade \u00e0 linguagem art\u00edstica dos fanzines que ainda hoje \u00e9 vista de forma marginalizada. Este evento nasceu para ser um espa\u00e7o de trocas, comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, onde fanzineiros, artistas, editores e o p\u00fablico pudessem se encontrar e compartilhar suas cria\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias. A iniciativa teve como objetivo comemorar pela primeira vez no Brasil o Dia Internacional do Fanzine, est\u00e1vamos num momento de transi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m com a chegadda da tecnologia e redes sociais. Acabou que n\u00e3o s\u00f3 tivemos um grande p\u00fablico do ABC, S\u00e3o Paulo, Grande SP, interior, mas tamb\u00e9m pessoas de outros estados. A primeira edi\u00e7\u00e3o aconteceu no Gambalaia (Santo Andr\u00e9) e estamos indo para 14 anos de resist\u00eancia em abril de forma itinerante. O sucesso foi t\u00e3o grande que, no ano seguinte, nos juntamos eu e Gazy Andraus, um pesquisador acad\u00eamico de fanzines, e pensamos quem e porque seria importante batizar essa data. Celebramos pela primeira vez nacionalmente o Dia Nacional do Fanzine (Edson Rontani) no dia 12 de outubro, consolidando a Fanzinada como um evento de refer\u00eancia no cen\u00e1rio cultural brasileiro, o que inspirou fanzineiros a se movimentar tamb\u00e9m. Al\u00e9m de exposi\u00e7\u00f5es e vendas de zines, o evento inclui oficinas pr\u00e1ticas, palestras, exposi\u00e7\u00f5es, homenagens, debates e apresenta\u00e7\u00f5es culturais, proporcionando uma rica programa\u00e7\u00e3o que aborda desde t\u00e9cnicas de cria\u00e7\u00e3o e impress\u00e3o at\u00e9 discuss\u00f5es sobre a import\u00e2ncia dos fanzines na sociedade contempor\u00e2nea.\u00a0Inclusive com atividades para crian\u00e7as e expositores mirins.<br \/>\nA Fanzinada tamb\u00e9m serve como uma plataforma para novas vozes e talentos da xerox art, estimulando a criatividade e a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica independente. Assim como espa\u00e7o cativo e garantido para os veteranos das artes gr\u00e1ficas. Com o passar dos anos, o evento cresceu e se diversificou, atraindo participantes de diferentes partes do Brasil e da Am\u00e9rica Latina, e promovendo um interc\u00e2mbio cultural vibrante e enriquecedor. Foi indicada a pr\u00eamios, citada em livros e pesquisas na Universidade. A Fanzinada \u00e9, portanto, mais do que um evento: \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o, da criatividade e da resist\u00eancia cultural, que continua a inspirar e conectar pessoas apaixonadas pelo mundo dos fanzines e pelo papel e impresso. Minha forma de retribuir tudo que essa arte me trouxe e possibilitou.\u00a0Com a Fanzinada j\u00e1 fiz a\u00e7\u00f5es em escolas, universidades, ONGs, espa\u00e7os culturais, estive em grandes eventos, espa\u00e7os culturais significativos do ABC, S\u00e3o Paulo, interior e Brasil.<br \/>\nAl\u00e9m das atividades j\u00e1 mencionadas, a Fanzinada tamb\u00e9m valoriza o fomento atrav\u00e9s dos participantes. As oficinas, por exemplo, abrangem desde t\u00e9cnicas de impress\u00e3o e encaderna\u00e7\u00e3o, palestras e empreendedorismo criativo. Dessa forma, o evento n\u00e3o s\u00f3 exp\u00f5e o p\u00fablico \u00e0 arte dos fanzines, mas tamb\u00e9m capacita os participantes a criarem suas pr\u00f3prias publica\u00e7\u00f5es.<br \/>\nOutro aspecto importante \u00e9 a inclus\u00e3o de debates e rodas de conversa, onde temas como a diversidade, a representatividade e a liberdade de express\u00e3o s\u00e3o discutidos. Esses zines muitas vezes abordam temas alternativos, contraculturais e subversivos, oferecendo uma plataforma e m\u00eddia para vozes que n\u00e3o encontram espa\u00e7o nos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais.<br \/>\nIsso cria um ambiente rico para a troca de ideias e experi\u00eancias, fortalecendo a comunidade de fanzineiros, editores, pesquisadores e artistas independentes. Muitos educadores utilizam os fanzines na sala de aula e al\u00e9m de irem \u00e0 Fanzinada levam seus alunos ou sou convidada para fazer interven\u00e7\u00f5es e forma\u00e7\u00f5es com alunos, educadores e equipe pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Voc\u00ea \u00e9 a nova diretora do Musin \u2013 Museu da M\u00fasica Independente. Fale-nos sobre ele.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem n\u00e3o me conhece n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da m\u00fasica e da cultura underground na minha vida e na minha forma\u00e7\u00e3o pessoal.<br \/>\nEu editei e contribu\u00ed com muitos fanzines dedicados principalmente ao punk, p\u00f3s-punk e ebm, al\u00e9m da literatura e HQs, inclusive em v\u00e1rios pa\u00edses.<br \/>\nFiz muita resenha de bandas, shows, produzi, cobri e organizei eventos com bandas, ali\u00e1s at\u00e9 hoje sempre que d\u00e1 nos eventos de fanzines sempre tem banda(rs). Ja fui redatora e colunista de uma revista independente de rock em Diadema, aqui no ABC, onde tamb\u00e9m tive um programa no final dos anos 90 in\u00edcio dos anos 2000.<br \/>\nLancei demos e, pasmem, at\u00e9 ganhei m\u00fasicas tamb\u00e9m rs.<br \/>\nComo nova diretora do Musin, Museu da M\u00fasica Independente, \u00e9 uma honra falar sobre essa institui\u00e7\u00e3o incr\u00edvel! O Musin \u00e9 dedicado ao rock independente e underground, celebrando principalmente a cultura punk e outsider que tanto amo!<br \/>\nExiste h\u00e1 21 anos, foi criado em Curitiba pelo pesquisador Manoel Neto em parceria com o jornalista Rodrigo Duarte. Nosso foco \u00e9 preservar, documentar e promover a hist\u00f3ria, mem\u00f3ria e a arte das cenas musicais e pessoas que fizeram esse movimento acontecer e que, muitas vezes, ficam \u00e0 margem da grande ind\u00fastria e meios de comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO museu abriga virtualmente uma cole\u00e7\u00e3o vasta de acervos diversificados de demos, fitas, zines, revistas, jornais p\u00f4steres, fotografias, r\u00e1dios, est\u00fadios, DJs, festivais e outros artefatos que documentam a evolu\u00e7\u00e3o da m\u00fasica independente e suas subculturas no Brasil. Temos um rico material que explora a hist\u00f3ria do punk, hardcore, metal, indie, p\u00f3s-punk, ebm e outras ramifica\u00e7\u00f5es musicais que emergiram do rock underground. Estamos aproveitando a tecnologia para nos conectarmos com pessoas que queiram saber mais sobre o rock underground ou elas mesmas trazerem suas hist\u00f3rias e mem\u00f3rias para serem compartilhadas.<br \/>\nTamb\u00e9m pensar em possibilidades de cria\u00e7\u00e3o de Fonotecas, Casas da M\u00fasica, educa\u00e7\u00e3o musical, direitos autorais, politicas p\u00fablicas etc. Aceitamos parcerias, inclusive nos convide para palestras, bate-papo, oficinas, eventos, ficaremos muito felizes!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos orientando e prestando assessoria para pessoas com seus acervos privados e p\u00fablicos. Em breve teremos muitas novidades no site do Musin e nas redes sociais.<br \/>\nUma das nossas metas atualmente \u00e9 ampliar o alcance do Musin, democratizando o acesso para outras cidades e comunidades, e utilizando plataformas digitais para compartilhar nosso acervo e conhecimento com um p\u00fablico ainda maior. A m\u00fasica independente e underground tem uma riqueza cultural imensa que merece ser explorada e celebrada e n\u00e3o \u00e9 somente m\u00fasica, tem toda uma cadeia produtiva, e estou empolgada para contribuir com essa miss\u00e3o. \u00c9 um grande desafio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Voc\u00ea \u00e9 mestra do fanzine nacional, premia\u00e7\u00e3o concedida pela Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG). Fale-nos sobre isso.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confesso que ainda n\u00e3o caiu a ficha!<br \/>\nReceber o t\u00edtulo de Mestra do Fanzine Nacional pela Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG), organizado pelo grupo acad\u00eamico de pesquisas Cria_Ciber que tem como mentor o grande professor, fanzineiro e mestre Edgar Franco, \u00e9 uma honra imensa e um reconhecimento indescrit\u00edvel para mim. Sou a primeira mulher no Brasil a receber esse t\u00edtulo, espero honrar isso e abrir caminho para que outras mulheres tamb\u00e9m ocupem esse lugar.<br \/>\n\u00c9 muito significativo para minha paix\u00e3o, devo\u00e7\u00e3o, trabalho e atua\u00e7\u00e3o com fanzines. Esta premia\u00e7\u00e3o \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o da dedica\u00e7\u00e3o, criatividade e paix\u00e3o investidas na cria\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o dessas publica\u00e7\u00f5es independentes por mais de tr\u00eas d\u00e9cadas e meia. Essa linguagem t\u00e3o simples mas t\u00e3o visceral que me transformou e me trouxe tantas oportunidades, essa arte subversiva que me deu voz, o que era hobby virou miss\u00e3o. Sou uma mulher de origens simples, nascida e criada em Santo Andr\u00e9 e no Sapopemba, zona leste de SP, sem perspectivas nenhuma. De uma gera\u00e7\u00e3o sem internet, sem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, cultura e direitos b\u00e1sicos, p\u00f3s-ditadura. Quis o acaso que o fanzine chegasse at\u00e9 mim.<br \/>\nEm 2023 lancei o livro Brazineiras \u2013 O Protagonismo Feminino nos Fanzines (Editora Timo), no maior evento de Cultura Pop do mundo como artista convidada. O livro traz relatos de 36 mulheres que como eu tiveram suas vidas transformadas por essa tecnologia impressa atemporal do fa\u00e7a voc\u00ea mesmo.<br \/>\nTive oportunidade de levar e chegar com fanzines a lugares que nunca imaginei. Muitos jovens, idosos, crian\u00e7as, zona rural, c\u00e1rcere se sentiram encorajados e se sentiram saindo da invisibilidade, motivados a escrever suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias e versos, m\u00fasicas, fazer fanzines, HQs, colagens, fotografias em oficinas, aulas. Isso me estimulou a n\u00e3o parar e essa motiva\u00e7\u00e3o que me dividiu em criar fanzines e meus filhos. Inclusive meus filhos foram alfabetizados fazendo fanzines.<br \/>\nHoje sou uma vovozine rs. Ent\u00e3o tudo isso me faz sentir especial, e dinheiro nenhum paga esse reconhecimento. E a\u00ed um dia qualquer voc\u00ea recebe um t\u00edtulo desse e acha que est\u00e1 sonhando. Eu s\u00f3 tenho que agradecer e que, apesar de todos obst\u00e1culos, dificuldades, estou viva, l\u00facida, podendo gozar desse privil\u00e9gio em vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-Por que fazer fanzines?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazer fanzines \u00e9 uma experi\u00eancia incrivelmente enriquecedora e libertadora. Existem v\u00e1rias raz\u00f5es pelas quais eu me dedico a essa forma de express\u00e3o:<br \/>\nPrimeiro que sempre digo que o fanzine \u00e9 o av\u00f4 da rede social. Ele me traz o senso de comunidade, os fanzines s\u00e3o uma forma poderosa de conex\u00e3o. Eles criam uma rede de indiv\u00edduos com interesses semelhantes, e a troca de zines pode levar a colabora\u00e7\u00f5es e amizades e parcerias art\u00edsticas duradouras. \u00c9 uma maneira de se sentir parte de uma comunidade vibrante e acolhedora. E ainda aquele sentimento nost\u00e1lgico de ainda receber cartas, fanzines, livros e art postal pelos correios \u00e9 impag\u00e1vel! Voc\u00ea cria v\u00ednculos incr\u00edveis, qualquer pessoa pode fazer, \u00e9 acess\u00edvel, din\u00e2mico e isso \u00e9 estimulante.<br \/>\nLiberdade Criativa, os fanzines oferecem uma liberdade que raramente encontramos em outras formas de publica\u00e7\u00e3o. Posso explorar qualquer tema que me interesse, desde quest\u00f5es pol\u00edticas, direitos humanos, g\u00eanero at\u00e9 hist\u00f3rias pessoais, sem as restri\u00e7\u00f5es impostas por editores comerciais. Por exemplo, usando qualquer formato e material que tiver em casa.<br \/>\nAutonomia, como fanzineira ass\u00eddua, tenho controle total sobre todo o processo, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o. Isso me permite experimentar diferentes estilos e t\u00e9cnicas, e levar a minha vis\u00e3o diretamente ao p\u00fablico.<br \/>\nResist\u00eancia Cultural, produzir fanzines \u00e9 uma forma de resist\u00eancia \u00e0 cultura de massa e ao consumismo desenfreado. \u00c9 um gesto de valoriza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o independente e da diversidade de vozes, promovendo a democratiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia, pensar al\u00e9m da caneta e do papel.\u00a0Express\u00e3o Pessoal, fazer fanzines me permite explorar e expressar minhas ideias, sentimentos e experi\u00eancias de uma maneira aut\u00eantica e pessoal. \u00c9 uma forma de autorreflex\u00e3o e autoconhecimento, que me ajuda a crescer como pessoa e manter a sanidade mental. Como indiv\u00eddua, os fanzines me trazem uma sensa\u00e7\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o, pertencimento e identidade. Eles me permitem compartilhar minhas paix\u00f5es e perspectivas com o mundo, ao mesmo tempo que me conecto com outras pessoas que valorizam a express\u00e3o criativa e a independ\u00eancia art\u00edstica. Em suma, os fanzines s\u00e3o uma parte fundamental da minha jornada pessoal e art\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 isso! Obrigada, <strong>revista Conex\u00e3o Literatura<\/strong>, pelo espa\u00e7o e parab\u00e9ns pela iniciativa em apoiar os independentes! Zinem-se!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cida Simka<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeir\u00e3o Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Pr\u00e1tica de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021), O quarto n\u00famero 2 (Editora Uirapuru, 2021), Exerc\u00edcios de bondade (Editora Ci\u00eancia Moderna, 2023), Horrores da escurid\u00e3o (Opera Editorial, 2023), Dayana Luz e a aula de reda\u00e7\u00e3o (Sa\u00edra Editorial, 2023) e Mariano (Opera Editorial, 2024). Colunista da revista Conex\u00e3o Literatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e9rgio Simka<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 professor universit\u00e1rio desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas \u00e1reas de gram\u00e1tica, literatura, produ\u00e7\u00e3o textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a s\u00e9rie Mist\u00e9rio, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conex\u00e3o Literatura. Seu mais recente trabalho acad\u00eamico se intitula Pedagogia do<br \/>\nencantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e os mais novos livros de sua autoria se denominam Exerc\u00edcios de bondade (Editora Ci\u00eancia Moderna, 2023), Horrores da escurid\u00e3o (Opera Editorial, 2023), Dayana Luz e a aula de reda\u00e7\u00e3o (Sa\u00edra Editorial, 2023) e Mariano (Opera Editorial, 2024).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por: Ademir Pascale<\/em><br \/>\n<em>Fonte: <strong><span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/revistaconexaoliteratura.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista Conex\u00e3o Literatura<\/a><\/span><\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Premiada em 2017 como melhor fanzine de HQ no Trof\u00e9u Angelo Agostini ao lado da ilustradora Fabi Menassi com o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20538,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[7534,7629,2426],"class_list":["post-20537","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-fanzine","tag-revista-conexao-literatura","tag-thina-curtis"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20537","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20537"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20537\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20539,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20537\/revisions\/20539"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20538"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20537"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20537"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20537"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}