{"id":21303,"date":"2025-11-14T02:33:55","date_gmt":"2025-11-14T05:33:55","guid":{"rendered":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/?p=21303"},"modified":"2025-11-23T00:05:56","modified_gmt":"2025-11-23T03:05:56","slug":"um-papo-com-paula-mastroberti-de-adormecida-hq-pioneira-no-brasil-que-retorna-as-livrarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/um-papo-com-paula-mastroberti-de-adormecida-hq-pioneira-no-brasil-que-retorna-as-livrarias\/","title":{"rendered":"Um papo com Paula Mastroberti, de \u201cAdormecida\u201d, HQ pioneira no Brasil que retorna \u00e0s livrarias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Lan\u00e7ada originalmente em 2012, mas produzida no final doa anos 1980, a obra resgata a tradi\u00e7\u00e3o dos contos de fadas originais, de temas mais sombrios e personagens menos planos<\/em><\/p>\n<p class=\"has-drop-cap\" style=\"text-align: justify;\">A premissa \u00e9 incrivelmente familiar: um andarilho busca abrigo em um castelo em ru\u00ednas. Ao adentrar o espa\u00e7o, o que se revela \u00e9 um mundo fant\u00e1stico abrigado por bruxas, fadas, uma misteriosa princesa e uma maldi\u00e7\u00e3o. <em><strong>Adormecida: Cem Anos Para Sempre<\/strong><\/em>, da quadrinista e artista pl\u00e1stica ga\u00facha\u00a0<strong>Paula Mastroberti<\/strong>, retorna ao mercado editorial brasileiro mais de dez anos de sua primeira publica\u00e7\u00e3o e pelo menos tr\u00eas d\u00e9cadas desde que foi criada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A HQ \u00e9 uma livre adapta\u00e7\u00e3o do conto popular\u00a0<em>A Bela Adormecida no Bosque<\/em>, na vers\u00e3o de\u00a0Charles Perrault\u00a0ou\u00a0<em>A Rosa Selvagem<\/em>, como era conhecido nos escritos dos Irm\u00e3os Grimm. Ao contr\u00e1rio da vers\u00e3o edulcorada pela tradi\u00e7\u00e3o dos livros infantis e do desenho da Disney, a obra de Mastroberti recupera o tom de tens\u00e3o e mist\u00e9rio que tanto fascinam quanto apavoram. A autora traz de volta aos contos de fadas as m\u00faltiplas camadas de profundidade escondidas sob uma aparente simplicidade que sempre permearam esse tipo de narrativa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-21305 aligncenter\" src=\"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/HQ-Adormecida-1.jpg\" alt=\"\" width=\"548\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/HQ-Adormecida-1.jpg 600w, https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/HQ-Adormecida-1-300x180.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 548px) 100vw, 548px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA minha rela\u00e7\u00e3o com esses contos \u00e9 antiga e est\u00e1 ligada \u00e0 minha leitura de mitologias, com as quais os contos de fadas tem fortes conex\u00f5es\u201d, diz Mastorberti em entrevista \u00e0<strong>\u00a0Revista O Grito!.<\/strong>\u00a0\u201cSempre gostei de literatura fant\u00e1stica, de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, e pra mim os contos de fadas fazem parte\u00a0desse\u00a0g\u00eanero\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Adormecida\u00a0<\/em>saiu em 2012 pela editora 8Inverso, em um per\u00edodo em que o cen\u00e1rio editorial de quadrinhos no Brasil come\u00e7ava a se abrir para novas propostas art\u00edsticas. A autora, que tinha finalizado a obra entre 1988 e 1990, j\u00e1 tinha quase desistido de sua publica\u00e7\u00e3o. No final dos anos 1980, o espa\u00e7o para autoras quadrinistas era bem limitado e o card\u00e1pio que as editoras entregavam eram basicamente narrativas de a\u00e7\u00e3o, mist\u00e9rio ou erotismo voltado para p\u00fablico masculino. \u201cEu acredito que, se eu ousei fazer quadrinhos em 1980, isso devia estar no ar, e possivelmente outras garotas por a\u00ed fizeram o mesmo\u201d, diz. \u201cEu dei sorte ou fui mais teimosa, n\u00e3o sei.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada em Artes Pl\u00e1sticas e doutora em Letras, Paula Mastroberti atua em diferentes \u00e1reas. Al\u00e9m das artes gr\u00e1ficas, ela \u00e9 tamb\u00e9m escritora, artista pl\u00e1stica e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Entre diversas homenagens, foi premiada com o Jabuti por\u00a0<em>Hero\u00edsmo de Quixote<\/em>\u00a0(2005),\u00a0e com o A\u00e7orianos por\u00a0<em>Os Sapatinhos Vermelhos\u00a0e\u00a0Cinderela, Uma Biografia Autorizada<\/em>\u00a0(2012). Nos quadrinhos, fez parte da colet\u00e2nea\u00a0<em>Osmose<\/em>\u00a0(2013) e tem v\u00e1rias fanartes inspiradas em David Bowie, que podem ser\u00a0<strong><span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/www.mastroberti.art.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vistas em seu site<\/a><\/span><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nova edi\u00e7\u00e3o da obra\u00a0<strong><span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/revistaogrito.com\/adormecida-cem-anos-para-sempre-faz-releitura-perturbadora-do-mito-da-bela-adormecida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sai pela editora Hipot\u00e9tica<\/a><\/span><\/strong>\u00a0com novo pref\u00e1cio e um texto da professora, tradutora e pesquisadora\u00a0<strong>Maria Clara Carneiro<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Batemos um papo com Paula Mastroberti sobre o retorno da HQ \u00e0s livrarias, suas influ\u00eancias, o contexto da obra no cen\u00e1rio de quadrinhos brasileiro atual e o desejo de republicar outras obras suas. A autora tamb\u00e9m falou de seus novos projetos, que inclui uma narrativa gr\u00e1fica sobre Peter Pan, fruto de seis anos de pesquisa para disserta\u00e7\u00e3o de mestrado e tese de doutorado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-21306 aligncenter\" src=\"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/HQ-Adormecida-2.jpg\" alt=\"\" width=\"332\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/HQ-Adormecida-2.jpg 332w, https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/HQ-Adormecida-2-199x300.jpg 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fiquei encantado com o novo pref\u00e1cio do livro, pois revela muito sobre um outro momento do mercado editorial brasileiro, em que\u00a0<em>Adormecida<\/em>\u00a0n\u00e3o parecia ter tanto espa\u00e7o. Como \u00e9 relan\u00e7ar a obra em um contexto t\u00e3o diferente?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois \u00e9, eu nem esperava, \u00e9 a primeira vez que sou reeditada, na verdade. Tenho outras publica\u00e7\u00f5es que talvez merecessem reedi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, mas eu sempre fico com vontade de revisar, de alterar uma coisinha ou outra. \u2026 A reedi\u00e7\u00e3o de<em>\u00a0Adormecida<\/em>\u00a0foi um convite da Editora Hipot\u00e9tica. Por isso, um novo pref\u00e1cio, pois o p\u00fablico mudou de 2012 pra c\u00e1, quando lancei pela 8Inverso. Era preciso explicar algumas coisas, e eu pensei muito nos meus alunos quando eu escrevi, principalmente naqueles alunos que t\u00eam vontade de seguir esse caminho das artes gr\u00e1ficas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queria que eles entendessem a rela\u00e7\u00e3o que a gente, como artista, estabelece ao longo dos anos com sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o. E queria tranquiliz\u00e1-los em rela\u00e7\u00e3o a essa busca de perfei\u00e7\u00e3o, essa hora de estar \u201cpronto\u201d\u00a0pra\u00a0publicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos anos 1980 e 90, eram poucas as mulheres quadrinistas com espa\u00e7o no mercado editorial. Apesar de sua obra chegar aos leitores apenas nos anos 2010, voc\u00ea foi uma pioneira nesse segmento. Como voc\u00ea enxerga o resgate desse pioneirismo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu at\u00e9 hoje n\u00e3o tenho muita certeza quanto a esse pioneirismo. Uma coisa \u00e9 fato:\u00a0<em>Adormecida<\/em>\u00a0\u00e9 a \u00fanica publica\u00e7\u00e3o em quadrinhos brasileira de autoria totalmente feminina (roteiro e artes), registrada da Biblioteca Nacional (ou seja, com ISBN).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente houveram mulheres antes de mim, que produziram quadrinhos, e que escreveram e produziram as artes, mas n\u00e3o h\u00e1 registro. Mas eu acredito que, se eu ousei fazer quadrinhos em 1980, isso devia estar no ar, e possivelmente outras garotas por a\u00ed fizeram o mesmo. Eu dei sorte ou fui mais teimosa, n\u00e3o sei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 fato que s\u00f3 mais tarde, l\u00e1 pelos anos 1990, com a entrada dos mang\u00e1s produzidos por autoras japonesas como Rumiko Takahashi, ou o Coletivo Clamp, \u00e9 que as mulheres come\u00e7aram a pensar \u2013 \u2018ei, se elas fazem quadrinhos, porque n\u00e3o eu?\u2019. A mesma coisa com as narrativas mais sens\u00edveis.<em>\u00a0Adormecida<\/em>, nos anos 1980, n\u00e3o era bem compreendida como narrativa, porque era ligada a contos de fadas (algo visto como infantil) e, ao mesmo tempo, muito \u201cparada\u201d pros moldes de editoras que vinculavam HQs mais \u00e0 narrativas de a\u00e7\u00e3o, aventura, mist\u00e9rio ou erotismo voltado para p\u00fablico masculino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De novo, s\u00f3 com a entrada dos mang\u00e1s na d\u00e9cada seguinte \u00e9 que se compreendeu a necessidade de produzir narrativas mais subjetivas, com personagens\u00a0menos\u00a0planos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-21307 alignleft\" src=\"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Adormecida-A-quadrinista-artista-plastica-e-professora-Paula-Mastroberti.jpg\" alt=\"\" width=\"327\" height=\"325\" srcset=\"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Adormecida-A-quadrinista-artista-plastica-e-professora-Paula-Mastroberti.jpg 357w, https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Adormecida-A-quadrinista-artista-plastica-e-professora-Paula-Mastroberti-300x298.jpg 300w, https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Adormecida-A-quadrinista-artista-plastica-e-professora-Paula-Mastroberti-150x150.jpg 150w, https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Adormecida-A-quadrinista-artista-plastica-e-professora-Paula-Mastroberti-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 327px) 100vw, 327px\" \/>Adormecida<\/em>\u00a0resgata o tom sombrio e por vezes l\u00fagubre que os contos de fadas sempre tiveram, mas que foram \u201capaziguados\u201d por Hollywood. Relendo a obra, me lembrei de uma edi\u00e7\u00e3o dos\u00a0contos originais dos Grimm\u00a0que saiu pela editora 34. Eram t\u00e3o brutais, mas t\u00e3o belos.\u00a0<em>Adormecida<\/em>\u00a0teve esse mesmo impacto em mim. Poderia me falar um pouco mais dessas suas refer\u00eancias e da influ\u00eancia que tiveram na HQ?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi Hollywood quem \u201capaziguou\u201d os contos de fadas. Foi a pr\u00f3pria literatura infantil, que estourou como g\u00eanero a partir do final do s\u00e9culo 19, voltada para crian\u00e7as da classe burguesa, preocupadas com os conte\u00fados violentos dos textos originais dos Grimm e de Perrault. Depois a Disney tratou do resto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A recupera\u00e7\u00e3o dos contos de fadas veio com escritoras feministas como Angela Carter e outras, a partir dos anos 1990. Estava no ar, como eu disse. Como digo no novo pref\u00e1cio, a minha rela\u00e7\u00e3o com esses contos \u00e9 antiga, e est\u00e1 ligada a minha leitura de mitologias, com as quais os contos de fadas tem fortes conex\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu j\u00e1 lia vers\u00f5es mais s\u00e9rias desde cedo. E eu gostava muito de mitos e lendas de diferentes partes do mundo, al\u00e9m dos contos de Oscar Wilde e de Hans Cristian Andersen. Sempre gostei de literatura fant\u00e1stica, de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e pra mim os contos de fadas fazem parte\u00a0desse\u00a0g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 citou a influ\u00eancia da\u00a0<em>Metal Hurlant\u00a0<\/em>no seu tra\u00e7o. Mas que outros quadrinistas e artistas te inspiraram a pensar o estilo de\u00a0<em>Adormecida<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que as gravuras de Gustave Dor\u00e9 tem um papel bem importante no meu tra\u00e7o. Mas tamb\u00e9m sinto-me influenciada por Alex Raymond, por Hal Foster, por Winsor McCay. Mais pros anos 1980, por Philippe Druillet e Moebius. Moebius principalmente pelas cores. E\u00a0Bernie Wrightson\u2026 Estes eu conheci atrav\u00e9s da\u00a0<em>Metal\u00a0Hurlant<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;N\u00e3o foi Hollywood quem \u201capaziguou\u201d os contos de fadas. Foi a pr\u00f3pria literatura infantil, que estourou como g\u00eanero a partir do final do s\u00e9culo 19, voltada para crian\u00e7as da classe burguesa, preocupadas com os conte\u00fados violentos dos textos originais dos Grimm e de Perrault. Depois a Disney tratou do resto.&#8221; <\/em>Paula Mastroberti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Poderia nos contar os bastidores da produ\u00e7\u00e3o da HQ? Apesar de ter sido lan\u00e7ada pela primeira vez em 2012 (pela 8Inverso), voc\u00ea j\u00e1 produzia a HQ h\u00e1 tempos, certo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela foi feita numa era pr\u00e9-computador, com vantagens e desvantagens. As vantagens n\u00e3o s\u00e3o \u00f3bvias, mas \u00e9 algo que s\u00f3 dou conta agora, porque noto um empobrecimento est\u00e9tico muito grande na maior parte das HQs contempor\u00e2neas, que repetem sempre os mesmos efeitos e estilos, uma colora\u00e7\u00e3o \u201clambidinha\u201d ou texturas digitais repetitivas, que tornam tudo muito igual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 exce\u00e7\u00f5es, claro. E h\u00e1 quem ainda prefira trabalhar com materiais f\u00edsicos.\u00a0<em>Adormecida<\/em>\u00a0foi feita, como eu digo no pref\u00e1cio, em estilo jazzistico. Isso quer dizer que eu n\u00e3o tenho esbo\u00e7os preparat\u00f3rios dela, mas era tudo direto, na mesma folha de papel, do esbo\u00e7o \u00e0 finaliza\u00e7\u00e3o. Eu tinha uma ideia de roteiro, tipo come\u00e7o, meio e fim, mas o texto mesmo ia sendo escrito na hora, de improviso (mesmo os versos das \u201ccan\u00e7\u00f5es\u201d da feiticeira, que, ao contr\u00e1rio do que alguns pensam, s\u00e3o de minha autoria tamb\u00e9m).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tem Control+Z nem tecla Del nelas. Nos originais, que est\u00e3o para serem doados \u00e0 Pinacoteca da UFRGS, d\u00e1 pra ver ainda umas marcas de l\u00e1pis, de nanquim branco, pra recobrir falhas. Eu curto isso pra caramba. Acho que me deu muita cancha como profisisonal, trabalhar\u00a0assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As desvantagens s\u00e3o as falhas, alguns defeitos\u2026 d\u00e1 vontade de refazer uns requadros, alguma prancha. Mas seria uma trai\u00e7\u00e3o \u00e0 Paula dos anos 1980 fazer isso. Al\u00e9m disso, vejo nas falhas um valor imenso, de quem se empenhou muito pra fazer o melhor, naquelas condi\u00e7\u00f5es e naquele contexto de idade\u00a0e\u00a0de\u00a0\u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu produzo HQs desde os meus 13 anos, policiais ou fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, feitas com grafite ou com caneta esferogr\u00e1fica. E\u00a0<em>Adormecida\u00a0<\/em>tem uma outra vers\u00e3o, em preto e branco, que n\u00e3o chegou a ser conclu\u00edda, mas tem algumas p\u00e1ginas finalizadas. Tenho tamb\u00e9m uma HQ sobre Cinderela, para adultos, nunca publicada, e narrativas gr\u00e1ficas mais curtas, conservadas\u00a0numa\u00a0pasta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Vejo estudantes de artes que chegam a mim interessados em fazer quadrinhos, mas pra fazer quadrinhos n\u00e3o basta gostar de quadrinhos. Tem que mergulhar na arte e na literatura, ampliar um repert\u00f3rio cultural e art\u00edstico que v\u00e1 muito al\u00e9m dos quadrinhos e mang\u00e1s industriais.&#8221; <\/em>Paula Mastroberti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 sua rela\u00e7\u00e3o com o quadrinho brasileiro hoje? O que voc\u00ea acompanha ou aprecia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu curto produ\u00e7\u00e3o independente e, de vez em quando, vou \u00e0s feiras\u00a0gr\u00e1ficas,\u00a0mas minha prefer\u00eancia recai nos zines ou livros de artista, em narrativas gr\u00e1ficas mais soltas, menos presas \u00e0 formata\u00e7\u00e3o tradicional. Eu dou cada vez mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 inova\u00e7\u00e3o em termos est\u00e9ticos. Gosto, em geral, de artistas e escritores que trabalhem de forma totalmente diferente do que eu fa\u00e7o. Mas se eu for citar nomes, ficaria com o Louren\u00e7o Mutarelli, o Amaral (que poucos conhecem, mas que participou do\u00a0<em>Projeto Osmose<\/em>\u00a0tamb\u00e9m), o Pedro Franz. Mas tem mais gente boa, s\u00f3 n\u00e3o estou lembrando\u00a0agora.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-21308 aligncenter\" src=\"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/HQ-Adormecida.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/HQ-Adormecida.jpg 600w, https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/HQ-Adormecida-300x138.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem planos de republicar seus outros trabalhos em quadrinhos, como a hist\u00f3ria que saiu em Osmose e a homenagem a David Bowie?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu pretendo republicar<em>\u00a0Zwein Rosen\u00a0in\u00a0Berlin<\/em>, que est\u00e1 em Osmose. Mas talvez o fa\u00e7a como um zine independente. Quanto \u00e0\u00a0<em>Bowing<\/em>, n\u00e3o foi criado como quadrinhos, mas como fanarts. Teve seu momento, mas agora estou mais interessada em trabalhar a fase final,\u00a0<em>Blackstar<\/em>. Estou produzindo entre uma coisa e outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha prioridade mesmo \u00e9 finalizar uma narrativa gr\u00e1fica longa,\u00a0<em>Peter Pan, uma hist\u00f3ria de meninas<\/em>, com tr\u00eas volumes finalizados e o quarto a caminho. Devem ser seis ao todo. Essa narrativa \u00e9 resultado de seis anos de pesquisa para disserta\u00e7\u00e3o de mestrado e tese de doutorado. Os volumes finalizados podem ser vistos\u00a0<strong><span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/issuu.com\/projetopeterpan\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no meu perfil no Issuu.<\/a><\/span><\/strong>\u00a0N\u00e3o \u00e9 uma narrativa para crian\u00e7as, apesar\u00a0do\u00a0t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem produzido algum outro quadrinho longo? Quais seus planos (e expectativas)\u00a0com\u00a0as\u00a0HQs?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o tenho expectativa nenhuma com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s hist\u00f3rias em quadrinhos. Eu s\u00f3 \u201calucino\u201d e fa\u00e7o, porque \u00e9 meio impulsivo. Tenho consci\u00eancia de que o p\u00fablico \u00e9 um nicho pequeno. Vejo estudantes de artes que chegam a mim interessados em fazer quadrinhos, mas pra fazer quadrinhos n\u00e3o basta gostar de quadrinhos. Tem que mergulhar na arte e na literatura, ampliar um repert\u00f3rio cultural e art\u00edstico que v\u00e1 muito al\u00e9m dos quadrinhos e mang\u00e1s industriais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E por repert\u00f3rio mais amplo n\u00e3o estou querendo dizer s\u00f3 o europeu ou estadunidense. Eu sou filha de uma outra era, dominada por essa cultura branca da qual n\u00e3o posso me livrar porque me constitui. Afinal de contas, sou mulher branca e neta de italianos. Mas entendo que se o quadrinho quiser permanecer como modalidade art\u00edstica e liter\u00e1ria, ele precisa ir em outras dire\u00e7\u00f5es e n\u00e3o ficar arremedando saladas \u00e9picas embasadas em mitemas sem nenhuma\u00a0consist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong><em>Adormecida \u2013 Cem Anos Para Sempre<br \/>\n<\/em>Paula Mastroberti<br \/>\n<\/strong><em>Editora Hipot\u00e9tica, 2025. 48 p\u00e1ginas, R$ 69,90.<\/em><\/p>\n<p><strong>Compre:\u00a0<span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/amzn.to\/4fndzVA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amazon \/<\/a><\/span>\u00a0<span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/loja.hipotetica.com.br\/produtos\/adormecida-cem-anos-para-sempre\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hipot\u00e9tica<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por: Paulo Floro<\/em><br \/>\n<em>Fonte:\u00a0<span style=\"color: #000080;\"><strong><a style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/revistaogrito.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista O Grito<\/a><\/strong><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lan\u00e7ada originalmente em 2012, mas produzida no final doa anos 1980, a obra resgata a tradi\u00e7\u00e3o dos contos de fadas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21304,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[5,1],"tags":[7793,7730],"class_list":["post-21303","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-ultimas-noticias","tag-adormecida","tag-paula-mastroberti"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21303"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21303\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21313,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21303\/revisions\/21313"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21304"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}