{"id":2982,"date":"2019-04-25T22:11:40","date_gmt":"2019-04-26T01:11:40","guid":{"rendered":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/?p=2982"},"modified":"2019-04-29T22:38:49","modified_gmt":"2019-04-30T01:38:49","slug":"das-telas-do-cinema-as-plataformas-digitais-novas-formas-de-ver-e-criar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/das-telas-do-cinema-as-plataformas-digitais-novas-formas-de-ver-e-criar\/","title":{"rendered":"Das telas do cinema \u00e0s plataformas digitais: novas formas de ver e criar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Engana-se quem acredita que as plataformas digitais e os servi\u00e7os de&nbsp;<em>streaming<\/em>&nbsp;t\u00eam impactado apenas a etapa de distribui\u00e7\u00e3o da portentosa ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica.<!--more--> O momento atual e hist\u00f3rico de transforma\u00e7\u00e3o das m\u00eddias tradicionais vem exigindo novas formas de pensar cinema e de se relacionar com ele. \u201cConte\u00fado e sociedade n\u00e3o s\u00e3o descolados. O que \u00e9 tend\u00eancia na sociedade se reflete no audiovisual. Isso vai indo como uma onda\u201d, afirma Carolina Alckmin, produtora-executiva da O2 Filmes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje s\u00e3o muitos os atores envolvidos na cria\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00f5es&nbsp;<em>on demand<\/em>. Uma s\u00e9rie em uma plataforma digital \u00e9 um produto que resulta de diversos mundos pensantes: das propostas do criador \u00e0s ideias da produtora, com pitacos da pr\u00f3pria plataforma. Um processo detalhado que envolve curadoria, matura\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e, claro, venda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vis\u00e3o de Carolina, ideias podem levar a um longa ou a uma s\u00e9rie; ao cinema ou ao YouTube \u2013 tudo depende do que se quer com determinada produ\u00e7\u00e3o. \u201cPrecisamos ter bons ouvidos para o que o canal, o&nbsp;<em>player<\/em>&nbsp;e as plataformas solicitam. A gente tem de respeitar esse contato com o p\u00fablico, que, muitas vezes, ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita. Estamos tentando entender tudo isso\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a cineasta Juliana Vicente, fundadora da Preta Port\u00ea Filmes, produtora com \u201cfoco em cinema de inclina\u00e7\u00e3o social e de relev\u00e2ncia art\u00edstica\u201d, o&nbsp;<em>on demand<\/em>&nbsp;e as plataformas de compartilhamento de v\u00eddeos t\u00eam furado um inv\u00f3lucro restritivo e aberto espa\u00e7o no mercado para iniciativas de produtores negros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNa cultura negra, convivemos com o invis\u00edvel desde sempre. A gente ficou muito tempo sem produzir imagem e sem ter essa possibilidade. A grande inova\u00e7\u00e3o \u00e9 que agora estamos produzindo. Uma plataforma livre como o YouTube permite que muitas pessoas nas\u00e7am, abre espa\u00e7o para novas narrativas e novas formas de criar imagem\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diretora da s\u00e9rie&nbsp;<em>Afronta!<\/em>, uma coprodu\u00e7\u00e3o com o Canal Futura, Juliana cita o filme&nbsp;<em>Guava Island<\/em>, estrelado por&nbsp;Rihanna e&nbsp;Donald&nbsp;\u200bGlover, como exemplo recente da aten\u00e7\u00e3o dada pelas novas plataformas \u00e0s demandas de p\u00fablico: o longa p\u00f4de ser visto gratuitamente na Amazon Prime Video at\u00e9 a noite do dia 13 de abril \u2013 e agora se encontra dispon\u00edvel apenas para os assinantes desse servi\u00e7o de&nbsp;<em>streaming<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Crise das telas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1982, durante o Festival de Cannes, o diretor Wim Wenders reuniu quatro renomados cineastas em um quarto de hotel e perguntou a cada um deles, individualmente, o que pensava do futuro do cinema. \u201cParecia que existia um contexto de pren\u00fancio de cat\u00e1strofe\u201d, conta o artista multim\u00eddia Lucas Bambozzi. Se as tecnologias digitais pareceram chacoalhar o universo das telonas, uma renova\u00e7\u00e3o da linguagem tem emergido no hibridismo com os meios videogr\u00e1ficos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisador em novas m\u00eddias, Lucas diz que sempre se importou muito pouco com o espectador. \u201cEu nunca fiz o cinema tradicional. Sempre tive desejo de fazer algo que n\u00e3o fosse o cinema em si. Desde sua inven\u00e7\u00e3o, existiram muitos tipos de cinema. Um deles se cristalizou. O [pesquisador] Arlindo Machado j\u00e1 falou de um cinema instalativo, que presume outras formas de exibi\u00e7\u00e3o. O cinema se cristalizou num espa\u00e7o \u00fanico, mas poderia ocupar outros espa\u00e7os\u201d, analisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que em 2018, segundo a Ag\u00eancia Nacional do Cinema (Ancine), o n\u00famero de salas de cinema no Brasil tenha batido um recorde, com 3.356 espa\u00e7os, a maior parte do pa\u00eds carece de locais de exibi\u00e7\u00e3o e de acesso ao grande circuito de filmes. A op\u00e7\u00e3o por canais e plataformas tem\u00e1ticos tem se mostrado acertada at\u00e9 para quem ainda finca os dois p\u00e9s numa ind\u00fastria tradicional e disseminada nas grandes cidades: a das TVs por assinatura. O canal Arte 1 lan\u00e7ou no \u00faltimo ano o Arte 1 Play, aplicativo que promete dar acesso ao \u201cmaior e mais relevante acervo digital de arte do pa\u00eds\u201d por 7,99 reais ao m\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs produtoras que se especializarem no gen\u00e9rico t\u00eam um grande desafio. Ningu\u00e9m mais quer ser todo mundo\u201d, afirma Caio Carvalho, diretor-executivo do canal. \u201cQuando vemos, ca\u00edmos no passado sem saber que estamos no passado. E \u00e9 uma ind\u00fastria que n\u00e3o pode cair tamb\u00e9m em retrocessos de pol\u00edticas p\u00fablicas.\u201d Segundo ele, 60% dos espectadores do Arte 1 chegam por meio da televis\u00e3o por assinatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora as novas plataformas simbolizem desafios ainda nebulosos para a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, o momento atual tem sido visto por especialistas como um cen\u00e1rio rico para o mercado brasileiro de audiovisual. De acordo com Carolina, s\u00f3 a O2 faz de quatro a cinco s\u00e9ries por ano. \u201cA gente fazia uma s\u00e9rie a cada ano. Agora fazemos de quatro a cinco. Antes o sucesso de uma s\u00e9rie era mensurado apenas pelo linear. E isso diria se ela seria renovada ou n\u00e3o\u201d, conta. \u201cTivemos uma s\u00e9rie [<em>Rua Augusta<\/em>, de Pedro Morelli] que no linear, por exemplo, n\u00e3o foi muito bem e no Now [plataforma de conte\u00fado de um servi\u00e7o de assinatura] foi um sucesso.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Adhemar de Oliveira, diretor do Espa\u00e7o Ita\u00fa de Cinema, o digital possibilita o alargamento do anal\u00f3gico. \u201cComo sala de cinema, eu estou na ponta de uma cadeia que historicamente no Brasil sempre foi complicada, pois nunca teve uma capilaridade para o tamanho do pa\u00eds. O digital possibilita alargar o anal\u00f3gico e o f\u00edsico. Nesse aspecto, ele \u00e9 uma explos\u00e3o\u201d, diz. \u201cFilosoficamente, acho que estamos vivendo a cria\u00e7\u00e3o de uma nova coisa, que n\u00e3o vou apontar se \u00e9 para o bem ou para o mal. Mas tecnologicamente ela \u00e9 incr\u00edvel. Os cineclubes do futuro s\u00e3o as plataformas.\u201d<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>*Texto produzido durante a terceira edi\u00e7\u00e3o do evento Encontros de Cinema, que reuniu no Rio de Janeiro, nos dias 15 e 16 de abril, diretores, pesquisadores, roteiristas, produtores, jornalistas e gestores desse setor.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por: Milena Buarque Lopes Bandeira<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Engana-se quem acredita que as plataformas digitais e os servi\u00e7os de&nbsp;streaming&nbsp;t\u00eam impactado apenas a etapa de distribui\u00e7\u00e3o da portentosa ind\u00fastria<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2983,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[5,1],"tags":[1120,442,1121],"class_list":["post-2982","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-ultimas-noticias","tag-audiovisual","tag-cinema","tag-encontros-de-cinema"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2982","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2982"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2982\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3040,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2982\/revisions\/3040"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2983"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}