{"id":4872,"date":"2019-07-24T02:18:53","date_gmt":"2019-07-24T05:18:53","guid":{"rendered":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/?p=4872"},"modified":"2019-07-31T01:01:10","modified_gmt":"2019-07-31T04:01:10","slug":"por-que-o-trabalho-feminino-nos-quadrinhos-e-desvalorizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/por-que-o-trabalho-feminino-nos-quadrinhos-e-desvalorizado\/","title":{"rendered":"Por que o trabalho feminino nos quadrinhos \u00e9 desvalorizado?"},"content":{"rendered":"<div class=\"\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"9u798-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify;\" data-offset-key=\"9u798-0-0\"><span style=\"text-align: justify;\">Convivemos com os quadrinhos dos mais diversos tipos, tamanhos, conte\u00fados e ilustra\u00e7\u00f5es. <!--more--><\/span><span style=\"text-align: justify;\">A chamada \u201c9\u00aa arte\u201d \u00e9 reconhecida e respeitada por cr\u00edticos, mas carrega um fardo grande: a invisibilidade da produ\u00e7\u00e3o feminina.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-align: justify;\">O mundo dos cartoons sempre foi dominado por homens. Na maior parte das refer\u00eancias que temos e usamos sobre os quadrinhos, sobretudo no mainstream, os conte\u00fados parecem pensados a partir de uma masculinidade que n\u00e3o s\u00f3 aborda comportamentos t\u00f3xicos e reproduz uma cultura machista, mas que tamb\u00e9m fecha porta \u00e0s mulheres.<\/span><\/p>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"2tn45-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"2tn45-0-0\"><span data-offset-key=\"2tn45-0-0\">A quadrinista e jornalista Hel\u00f4 D\u2019Angelo, autora da webcomic Dora e a Gata, que est\u00e1 no Catarse (projeto de financiamento coletivo), produz quadrinhos e estuda teorias feministas desde 2014. Ela afirma que esse tipo de domina\u00e7\u00e3o masculina sob a feminina, neste meio, exemplifica o resultado atual da luta das mulheres por reconhecimento. <\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"bjb0v-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"bjb0v-0-0\"><span data-offset-key=\"bjb0v-0-0\">&nbsp;<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"cren0-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"cren0-0-0\"><span data-offset-key=\"cren0-0-0\">\u201cA produ\u00e7\u00e3o feminina de quadrinhos sempre esteve presente na grande ind\u00fastria, ou na ind\u00fastria independente. S\u00f3 que as artistas mulheres foram eclipsadas pelos homens. No come\u00e7o dos quadrinhos mainstream, dos quadrinhos de super-her\u00f3is, at\u00e9 tinham artistas mulheres, mas nunca estavam em posi\u00e7\u00e3o de destaque dentro das empresas. O trabalho destinado a elas era o de limpar a arte dos caras, ou \u00e0s vezes na arte final como detalhistas, ou eram secret\u00e1rias: tinham talento para ser artistas, mas s\u00f3 eram aceitas dessa forma\u201d, comenta.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"3jgbe-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"3jgbe-0-0\"><span data-offset-key=\"3jgbe-0-0\">&nbsp;<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"c8ba4-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"c8ba4-0-0\"><span data-offset-key=\"c8ba4-0-0\">O mercado diz n\u00e3o h\u00e1 atua\u00e7\u00e3o feminina, mas a hist\u00f3ria mostra que elas sempre estiveram ativas nessa \u00e1rea. Nas reda\u00e7\u00f5es, fizeram parte da produ\u00e7\u00e3o de quadrinhos de sucesso, mas sem o devido reconhecimento. Em 1940, por exemplo, editoras como a Marvel Comics mantinham trabalhadoras que n\u00e3o assinavam por seus trabalhos. Das poucas que o faziam, usavam pseud\u00f4nimos masculinos, porque, \u00e9 claro, o nome de uma mulher traria repres\u00e1lias, como um sin\u00f4nimo de fracasso de vendas. <\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"8jhj8-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"8jhj8-0-0\"><span data-offset-key=\"8jhj8-0-0\">&nbsp;<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"5jq4s-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"5jq4s-0-0\"><span data-offset-key=\"5jq4s-0-0\">No Brasil, a cultura dos quadrinhos teve seu primeiro auge nas d\u00e9cadas de 1930 e 1940, com as revistas o Tico-Tico e Suplemento Juvenil, que traziam boa parte do conte\u00fado que era feito nos Estados Unidos. Nas produ\u00e7\u00f5es e reda\u00e7\u00f5es, havia pouca participa\u00e7\u00e3o feminina, com destaque para Nair de Teff\u00e8, que assinava como Rian (seu nome ao contr\u00e1rio) e contribuiu com dezenas de trabalhos para as revistas Fon-Fon e O Malho.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"ugel-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"ugel-0-0\"><span data-offset-key=\"ugel-0-0\">&nbsp;<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"dtl1n-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"dtl1n-0-0\"><span data-offset-key=\"dtl1n-0-0\">Mais a frente, em 1970, a plena ditadura militar, revistas alternativas come\u00e7aram a tomar o mercado, como O Bal\u00e3o, O Bicho e o famoso O Pasquim. A atua\u00e7\u00e3o de mulheres nesta \u00e9poca ficou marcada por ser exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra, em editoras que eram compostas majoritariamente por homens. <\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"b9ji4-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"b9ji4-0-0\"><span data-offset-key=\"b9ji4-0-0\">&nbsp;<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"er2e3-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"er2e3-0-0\"><span data-offset-key=\"er2e3-0-0\">Maria Cl\u00e1udia Fran\u00e7a Nogueira, por exemplo, conhecida como Crau da Ilha, contribu\u00eda para a revista O Bicho e Mariza Dias Costa ganhou destaque por produzir conte\u00fados para O Pasquim e para a Folha de S\u00e3o Paulo. Um dos maiores nomes femininos da \u00e9poca era o de Cec\u00edlia Alves Pinto, mais conhecida por Ci\u00e7a, que produziu as tirinhas \u201cPagando o Pato\u201d, na qual fazia uma an\u00e1lise cr\u00edtica do pa\u00eds da pol\u00edtica no pa\u00eds. Mesmo assim, quando relembradas as a\u00e7\u00f5es d\u2019O Pasquim na hist\u00f3ria do Brasil, ambas s\u00e3o sequer s\u00e3o mencionadas.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"c1vrp-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"c1vrp-0-0\"><span data-offset-key=\"c1vrp-0-0\">&nbsp;<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"ell69-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"ell69-0-0\"><span data-offset-key=\"ell69-0-0\">Ainda hoje, \u00e9 dif\u00edcil obter informa\u00e7\u00e3o sobre a atua\u00e7\u00e3o das mulheres nessa \u00e1rea. S\u00e3o poucas as pesquisas direcionadas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o feminina nos quadrinhos e o material produzido ainda \u00e9 vista como inferior, ocupa poucas prateleiras nas grandes livrarias e \u00e9 alvo de constante preconceito. <\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"e9k8v-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"e9k8v-0-0\"><span data-offset-key=\"e9k8v-0-0\">&nbsp;<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"8ra57-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"8ra57-0-0\"><span data-offset-key=\"8ra57-0-0\">\u201cA ironia \u00e9 que precisamos enfrentar, ainda hoje, desafios que as mulheres sempre enfrentaram, como a ideia de que a mulher n\u00e3o serve para fazer quadrinhos, porque isso \u00e9 coisa de homem, ou que n\u00e3o existem quadrinistas talentosas, que o nosso trabalho n\u00e3o tem qualidade. Temos que enfrentar muito dessa atua\u00e7\u00e3o masculina no meio para poder fazer arte, o que eles fazem todos os dias sem tantas dificuldades\u201d, destaca Hel\u00f4.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"fpp0l-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"fpp0l-0-0\"><span data-offset-key=\"fpp0l-0-0\">&nbsp;<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"5lhia-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"5lhia-0-0\"><span data-offset-key=\"5lhia-0-0\">Quem tem interesse em conhecer o trabalho dessas mulheres, pode conhecer o trabalho de grandes pesquisadoras da \u00e1rea. Nos Estados Unidos, h\u00e1 Trina Robbins, uma das pe\u00e7as fundamentais no reordenamento da hist\u00f3ria da mulher na produ\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias em quadrinhos, (co)autora de cerca de 30 hq\u2019s e 13 livros.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"an902-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"an902-0-0\"><span data-offset-key=\"an902-0-0\">&nbsp;<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"etmb-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"etmb-0-0\"><span data-offset-key=\"etmb-0-0\">No Brasil, destaque para Carolina Ito, mestra pela Universidade de S\u00e3o Paulo com a pesquisa \u201cUm panorama da produ\u00e7\u00e3o feminina de quadrinhos publicados na internet no Brasil\u201d. <\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" style=\"text-align: justify;\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"8d4ok-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"8d4ok-0-0\"><span data-offset-key=\"8d4ok-0-0\">&nbsp;<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"721cn-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" style=\"text-align: justify;\" data-offset-key=\"721cn-0-0\"><span data-offset-key=\"721cn-0-0\">Para identificar artistas brasileiras e latino-americanas, vale olhar o conte\u00fado produzido pela Gabriela Borges no site Mina de HQ, que re\u00fane uma galeria de produ\u00e7\u00e3o feminina nos quadrinhos.<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\" data-block=\"true\" data-editor=\"81jac\" data-offset-key=\"5fp8h-0-0\">\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"5fp8h-0-0\"><span data-offset-key=\"5fp8h-0-0\">&nbsp;<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div data-offset-key=\"8ohc4-0-0\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"_1mf _1mj\" data-offset-key=\"8ohc4-0-0\"><em>Por: Luiza Vilela<\/em><br \/>\n<em>Fonte: <strong><span style=\"color: #000080;\"><a style=\"color: #000080;\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Brasil de Fato<\/a><\/span><\/strong><\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Convivemos com os quadrinhos dos mais diversos tipos, tamanhos, conte\u00fados e ilustra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4873,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[5,1],"tags":[1995,304],"class_list":["post-4872","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-ultimas-noticias","tag-mina-de-hq","tag-quadrinhos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4872"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4872\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4877,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4872\/revisions\/4877"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4873"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/kriocomics.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}