Com Watchmen e The Boys, as histórias de quadrinhos “para adultos” voltam às telas

Nova temporada de The Boys já está em desenvolvimento, enquanto primeiro ano de Watchmen será lançado em outubro.

Apesar das crenças em geral que vigoram até hoje, o universo de histórias em quadrinhos sempre tratou de assuntos sérios e muitas vezes bem adultos em seus contos. Até mesmo os heróis moldados para o auge de popularidade, como o Superman da DC e o Homem-Aranha da Marvel, lidavam com questões polêmicas da época em que suas histórias eram retratadas.

Alguns desses heróis foram até mesmo criados como alegorias para tratar destes assuntos. Provavelmente o melhor exemplo vem da Marvel com os X-Men, onde os criadores dos heróis, Jack Kirby e Stan Lee, deixaram claro que os “mutantes” eram, além de pessoas superpoderosas, pessoas que sofriam com as opressões e perseguições contra minorias que muitos humanos na vida real sofriam nos Estados Unidos e no mundo.

Para além disso, tem-se também as histórias mais “cabeça”, que discutiam e mostravam alguns dos atos mais escusos das nossas sociedades em carne e osso. Algumas das criações mais célebres neste ramo vem do escritor inglês Alan Moore, que criou Watchmen e V de Vingança na década de 1980.

Em Watchmen, um grupo de heróis que literalmente altera a história americana entre as décadas de 1940 e 1960, tem de se confrontar com problemas entre eles e também dentro de si mais de vinte anos após suas aposentadorias. Enquanto que V de Vingança é um conto totalmente político, inserido num futuro distópico onde o protagonista busca engajar e inspirar uma revolução contra o sistema.

Estes são contos que usualmente não se tornam produtos extras, como action figures, jogos de roleta de cassino online – como é o caso de Superman na Betfair – e/ou videogames. De fato, houve uma certa redução desse tipo de conto no mercado atual de adaptações de heróis aos cinemas e a televisão em tempos recentes, com a Marvel e a sua fórmula mostrando o “mapa da mina” para sua rival DC e outras partes interessadas.

Tanto Watchmen quanto V de Vingança tiveram seus contos originais virando filmes na década passada. Uma época diferente, quando a já mencionada fórmula Marvel ainda não havia sido descoberta. Seu “desaparecimento” foi muito provavelmente efeito do seu insucesso nas bilheterias, já que Watchmen arrecadou 185 milhões de dólares em cima de um orçamento de produção de 150 milhões; enquanto V de Vingança teve receita nos cinemas de 132 milhões de dólares, contra 54 milhões de custo.

Isso não impediu que as obras virassem sucessos cult, como foi até o caso dos quadrinhos à época em que foram lançados. O reconhecimento destas peças como grandes obras vieram em anos posteriores, e o mesmo acontece hoje com os filmes que não são perfeitos, mas que se sustentam por conta de bons roteiros adaptados e/ou boas atuações.

E uma vez que o ciclo de dominação da Marvel pode ter se encerrado com o último filme dos Vingadores, tem-se espaço mais uma vez para que esse tipo de temática mais adulta e “pensante” volte a ser explorada. Watchmenterá em breve uma adaptação para o formato de série pela HBO; e a Amazon por meio do seu serviço de streaming, a Amazon Prime, lançou recentemente The Boys, seriado inspirado em história do mesmo nome de um outro grande autor de histórias em quadrinhos, Garth Ennis, que desvirtua totalmente a noção mais comum de super-heróis que vigora por aí.

Por sorte dos fãs desse tipo de história, The Boys parece ter já um relativo sucesso considerando que seu público não é o fã comum de filmes e seriados de super-heróis. A esperança agora é que tal sucesso se transforme em mais adaptações dignas para essas obras que com o tempo, se tornaram clássicos do gênero de histórias em quadrinhos.

 

Por: Marco Victor

 

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